Na sexta-feira passada, numa dessas manhãs em que o despertador berra que são horas da aula de italiano e já estou atrasada, fui apanhar o autocarro em frente a casa para ir para o centro da cidade. Ainda não tinha chegado à paragem e a senhora que lá estava começa a falar comigo. «O meu italiano está pior do que imaginava» pensei eu imeadiatamente, enquanto analisava os gestos da senhora e a tentava compreender.
A senhora, que tinha um lenço a cobrir-lhe o cabelo e o pescoço (como aliás é muito normal ver as mulheres nos arredores de Bolonha) entre o meu ar de «não estou a perceber patavina do que está a dizer» e «Scusi, non capisco» olhava para mim com um ar de incrédula por eu não lhe estar a responder a uma aparente simples pergunta mas lá percebeu que aquela conversa não ia longe. E depois? Depois sim, começa a falar em italiano e a pedir desculpa pelo engano, porque pensava que eu sabia árabe. Sim, árabe. Do pouco, desta vez, italiano a sério que percebi, compreendi que a simpática senhora achava que eu era marroquina, como ela, (pelo meu tom de pele, por eu - por coincidência - estar a usar um lenço liso ao pescoço, sei lá!).
Lá lhe expliquei que nem italiana era e que ainda não sabia falar muito bem. Perguntou-me de onde vinha e sorriu quando lhe respondi: «Portogallo».
Um blogue que retrata todas as coisas interessantes e desinteressantes que me têm acontecido. As aventuras e desaventuras que vou vivendo. Os segredos (descobertos) de Bolonha. A magia de Itália. Os melhores sítios que já visitei. O que ainda quero visitar. O que já fiz. O que vou fazer. O que não queria ter feito. Os melhores momentos. Os piores. As vergonhas. As noites a dormir no chão. Os dias passados nas nuvens. E aquilo que me apetece escrever só porque sim.
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